“Belmonte, a princesa do sul”

“Quem dentre vocês é capaz de dizer quem é a minha amada? Belmonte” - metáfora de sonhos delirantes, planície dos sonhos encantados, terra das águas morenas, alcova do sol poente com suas cortinas em ramas douradas.Belmonte, “O triunfo do amarelo”

Luta o amarelo contra o verde agora, No esforço de vencê-lo e confundi-lo. E assim derrama, esdrúxulo, na flora Sépia, topázio, abóbora, berilo.

Transforma o bronze e anula o jade: e aquilo Que é verde-negro, aurífero, colora. No esforço de vencê-lo e confundi-lo Luta o amarelo contra o verde, agora.

Aves azuis se pintam chinesmente De jalde. E a própria flor da rubra amora Toda se pinta de âmbar louro, ardente.

E a luz do sol, sinfônica e sonora, Dos céus rolando, em mágica torrente, A gama inteira do amarelo explora.

Dos guerreiros Botocudos de outrora, o “Paticha” indígena, então adormecido nos pilares colonizadores portugueses do Arraial de São Pedro, doravante Belmonte, reflorida pelo sopro da realeza cacaueira e adornada pelos tambores suburbanos dos pescadores, para enfim, tornar-se um dos últimos recantos da Bahia. Senhora da sua história contada no silêncio dos seus casarões seculares, na voz soberana do seu povo, por ela escolhida como filhos do paraíso num convite ao romantismo contemplativo de uma cidade que para além das sensações, define-se num cristalino estado de alma!

“Belmonte, quem te conhece ama! Pois nos reconhecemos e nos reinventamos em cada gorjeio que afaga as vagas do rio Jequitinhonha, em cada lua prateando os caminhos longínquos do mar, em cada abraço que afaga como orações dissonantes, em cada sonho que desperta pela simples razão viver Belmonte, em cada sabor que nos faz acreditar que o mundo é muito além de um encanto quando somos capazes de reconhecer o pedaço de Belmonte que habita em cada coração nosso de cada dia!

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