O Suicídio

Seguramente o suicídio é o evento mais dramático e frustrante para aquele que o comete, para os que permanecem no mundo e para os que já se encontram no plano espiritual. É ao mesmo tempo a interrupção de uma existência e o término de muitas esperanças. É oportuno lembrar que o índice de suicídios é maior em dois opostos: nos países africanos de extrema pobreza e guerras étnicas e civis e nos países mais desenvolvidos como Bélgica, Holanda, Dinamarca.

Na primeira e segunda grandes guerras não houve um aumento do suicídio durante estes eventos, nos próprios campos de concentração não houve aumento. Entretanto, após as guerras ocorreu aumento deste gênero de morte. Não é a luta que leva ao aniquilamento da própria vida, mas o desespero, irmão da desesperança. Enquanto existe algo para se lutar, algo para se unir, a vida permanece como algo válido a ser defendido. Seria estranho alguém imaginar que países como a Bélgica, Dinamarca estariam entre os campeões do suicídio, pois, estão entre os campeões em educação, saúde, segurança pública. O mesmo fenômeno se repete no Japão.

O que estes países têm em comum, além do elevado nível de bem estar social? Eles têm em comum a elevada prevalência de ateísmo, do materialismo. São sociedades altamente competitivas, mas sem um sentido existencial. Já se disse que vazio existencial é coisa de rico e parece realmente acometer mais os ricos e a classe média que os pobres. É estranho uma pessoa famosa, rica, bela ou belo cometer suicídio. Não é comum, mas não é muito raro. Jovens saudáveis e sem problemas financeiros se jogam de prédios. Famosos se matam. O raro é um bandido se matar.

Parece que buscamos felicidade em lugares onde ela nunca esteve ou colocamos a felicidade num local alto demais e inacessível a nós mesmos. Idealizamos tanto a felicidade que esquecemos de viver a vida que temos. Quanto mais cultura se tem, quanto mais se estuda, quanto mais se é estimulado a raciocinar, tanto mais se percebe o vazio de uma vida sem sentido. Observe estas questões. Primeira questão: Você estuda para alcançar competência profissional a fim de ganhar dinheiro. O ladrão de banco e o político corrupto ganham muito mais sem tanto estudo. Segunda questão: Você tem uma alimentação saudável para viver mais. Mas um dia você vai à morte. Terceira questão: Você dá um elevado valor à beleza física. Mas um dia você poderá ter 90 anos e quanto mais belo na juventude, mais triste ficará na velhice se você elegeu a beleza física como algo fundamental. Alguém já disse: as feias que me desculpem, mas beleza é fundamental. Frase bonita para se fazer poesia, ruim para se viver. Quarta questão: Seja feliz com sua realização profissional. Mas nenhum livro de administração ou marketing fala de um pedreiro ou coletor de lixo de sucesso! Sabemos que existe uma relação não muito forte entre felicidade e dinheiro.

Observemos que apenas valores espirituais que informam que o ser humano é imortal, que estamos vivos para desenvolver valores morais e intelectuais. O dinheiro é necessário até o ponto em que contribui para este objetivo. Apenas o conhecimento da imortalidade da alma dá sentido real à existência, independente, de como é ou está a vida de cada um. Você pode ter o maior problema, mas se você sabe que é imortal é que sua vida tem um propósito, então, você pode superar ou conviver com qualquer problema. Você pode chegar à conclusão de que o problema é a solução para o seu caso. É o que ocorre nos processos cármicos dolorosos. Nosso objetivo existencial é ser melhor do que somos, não melhor ou igual o outro. Quem tem obrigação de dar risada todos os dias é o palhaço do circo, não você! Nossa obrigação não é ser feliz sempre ou todo dia, mas promover a Felicidade do próximo. A felicidade não é algo que alguém possa lhe dar ou roubar. É a consequência de uma vida com sentido real, não um sentido imposto pelo marketing. Seremos tanto mais felizes quanto melhor formos como pessoas, mas primeiro é necessário saber o sentido da vida, não inventar um caminho ou copiar o que se vê. Quem nasceu para fazer dinheiro é a Casa da Moeda. Não é preciso que tudo dê certo para que sua vida tenha sentido. Todas as vidas têm sentido e significado, mas é preciso descobri-los e vivenciar a beleza que existe em cada vida.

Não é nada estranho o fato de existir o suicídio, é algo lamentável. O estranho é viver sem saber por que se vive, para que se vive e como viver corretamente. Tudo tem um jeito certo e um jeito errado de ser. A vida também é assim.

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