Paternidade é a chegada de um elefante A deliciosa experiência de se ter um pai presente

Amor de pai é uma das principais influências na personalidade humana. Estudos internacionais recentes mostram que uma criança quando rejeitada pela figura paterna sofre maior influência em sua personalidade. Estudos diários são divididos em jornais e revistas, mas o que poucas matérias dividem é que a paternidade é uma construção diária.

A maternidade nasce mais cedo. São mudanças no corpo e nas relações com a sociedade. Tudo muda quando chega uma grávida. A paternidade é diferente. O ultrassom se apresenta e o homem vê, chora, ri, mas ainda não sabe o que se sente, não entende o que se passa. A mulher que embarriga, os humores que se alteram, os cuidados se redobram, os assuntos mudam e, principalmente, o mundo que se enche de descobertas e informações que vão inundando o imaturo papai de responsabilidade projetada. A paternidade é construção lenta.

Vem o primeiro choro, a primeira fralda, as noites de pouco sono, as belezas da convivência. E um pai vai nascendo aí! Nos primeiros meses oferece carinho e se põe de assessor. Ajeita a poltrona de amamentação, arruma o berço, compra coisinhas e oferece colo. Mas, enquanto faz tudo isso, ainda luta por seu espaço, luta por entender sua nova vida. Essa relação pai e filho vai se construindo devagarzinho.

No início são dois igualmente indefesos. Precisam se entender e se dispor a compartilhar. E aos poucos tudo vai se encaixando. Um dia, vendo filme o pai chora pensando no futuro da família, no outro, meses depois do parto, divide com sua mulher um segredo: “acho que só agora começo a entender esse lance de ser pai, nosso filho é tão lindo”.

E o filho começa a querer colo de papai, descobre aos poucos a segurança que está ali, sendo construída, num elo de amor que está apenas começando para uma vida inteira. Um pai nasce devagar, como elefante: vem lentamente, ocupa os espaços e toma conta de tudo.

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