Ações que não se sustentam

Virou lugar comum, para os ecologistas pelo menos, que tudo tem que ser sustentável. Pois bem, também penso assim. Mas eu deveria pensar diferente. Nesse artigo notem que vou usar sempre “eu“ até para não comprometer ninguém. Na edição passada, aqui nesta revista falei sobre aproveitamento das águas do telhado para uso variado - lavar carro, calçada, regar jardim etc- e para meu espanto muitas pessoas ligadas a mim, e que eu imaginava que pensavam como eu, ficaram encantadas com a ideia, como diria Gilberto Gil: “o óbvio não é tão óbvio como parece”.    
Se tudo tem que ser sustentável, nossas ações também, as leis principalmente, porque tem lei que não pega, como se diz, e a lei ambiental quando não pega é um estrago... na natureza! Quem trabalha com meio ambiente sabe que ao se conceder uma licença ambiental para um empreendimento  quase  sempre se colocam algumas condicionantes, contrapartidas, medidas mitigadoras, tais como: obrigação de ser feito um calçamento na frente ou imediações da obra, plantação de determinadas árvores, lixeiras etc. Mas quem fiscaliza? Quando é feita a fiscalização? Em 90% dos casos, nunca!
Seja por falta de vontade política, por falta de funcionários (quase sempre).
Portanto, uma ação que se sustente devia exigir que o empreendedor ao receber a licença tivesse a obrigação de:
    1-Antes da obra começar, divulgar estas condicionantes no rádio e jornal e afixar uma placa na frente da obra;
    2-Afixar cartaz depois da obra pronta, em local visível e por 24 meses, sobre as condicionantes exigidas;
    3-Tudo isso para que a sociedade tomasse conhecimento das mesmas e fizesse as vezes de fiscal do meio ambiente, denunciando o não cumprimento de tais condicionantes.
Sabe-se que na cidade, via de regra, se exige calçamento, reparo ou reforma em logradouro público e praças, mas todos pensam que foi mais uma obra do município - inclusive Tribunal de Contas (SIC), já que estas são incluídas como despesas da prefeitura.
Muitos de nós, ambientalistas, somos chamados de xiita - às vezes com razão - porque nos achamos donos da verdade e,  ao contrário de  informar o que pensamos, queremos “ensinar” o que pensamos,  ou seja, “tem que ser assim”.  Poucas vezes dialogamos - sempre um monólogo - e dessa forma perdemos a oportunidade de tornar nossa idéias sustentáveis . Por isso que, de hoje em diante, meus amigos ouvirão de mim apenas o que penso, sem a intenção de querer ser o dono da verdade ou que minha verdade prevaleça. Assim  minhas amizades serão auto-sustentáveis e minhas ideias, quem sabe, prosperarão.

Euclides Senna, ex-vereador, ex-secretário do Meio Ambiente, ex-presidente da Associação Comercial. É atual Gestor da Apa Caraíva/Trancoso e presidente da Fundação Baobahia

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