Reflexão sobre a educação

A educação e formação de uma criança representam um aperfeiçoamento e desenvolvimento das capacidades dessa criança. Quais são essas capacidades? A quem cabe o papel de educador? A resposta à primeira pergunta é: um indivíduo tem capacidades e habilidades singulares e próprias, ou seja, nós não temos os mesmos talentos.

 

A isso se chama inteligência múltipla. Portanto, cada um precisa desenvolver suas próprias capacidades e potencialidades. Contudo há em nós capacidades em comum como o Qi - Quociente de inteligência e o QE – Quociente emocional, essas representam a razão e as emoções respectivamente.

E por serem capacidades, significa que são exercitáveis, ou seja, quanto mais se exercitam essas capacidades, melhor elas se desenvolvem. Sendo assim, quando raciocinamos, interpretamos, lemos, debatemos e decoramos, exercitamos nosso QI; é o que fazemos nas escolas em maiores proporções.

Mas e o QE, quando exercitamos? Nos nossos relacionamentos. Quando nos relacionamos experimentamos sentimentos e emoções dos mais diversos, um “coquetel” de afetos. Alegria, paixão, orgulho, prazer, satisfação... Mas nem tudo são flores, há também a tristeza, apatia, melancolia, irritabilidade, raiva, medo, ansiedade, apreensão.

E aqui chegamos a um ponto interessante do texto. Em que momento em nossa educação desenvolvemos as capacidades e habilidades da inteligência emocional? Provavelmente você irá dizer: Quando nos relacionamos! Mas não é bem assim. Esperar que o QE se desenvolva só pela relação é como esperar tirar boa nota na prova de matemática sem estudar. O curioso é que para educar a mente emocional, utilizamos de capacidades da mente intelectual também.

Tais como reflexão, abstração, autocrítica, autoconhecimento; e outras da esfera do sensitivo como higienização mental, autopercepção. Se permita um momento de reflexão! Em que momento do seu dia você se dedica a tais práticas? Em que momento você busca a reflexão de como foi seu dia? De como você agiu e por que reagiu de tal forma? O que você faz quando sua mente está cheia de pensamentos? São tantos que até dificultam seu sono na hora de dormir.

Em que momento você se permite sentir, tentar entender aquelas sensações que incomodam? Em que momento você se dedica a aprender a lidar com essas sensações? Pois é, às vezes parece que nossas emoções falam por nós. Mas por que seria diferente se não estudamos para a prova? Para responder à segunda pergunta, cabe à sociedade a educação de nossas crianças. Não estou dizendo que você tenha que tomar conta dos filhos dos outros, não é isso.

Mas me refiro à construção dos valores de nossa sociedade. Qual impacto social você acha que há quando damos “IBOPE” para a ostentação, a vulgarização, aos relacionamentos rasos, ao desrespeito, ao consumo obsessivo, à violência, à perversão e tantos outros valores culturais que estão em destaque e que desconstroem e corroem nosso convívio? O que acontece com uma criança que é educada sob a influência desses valores? Não somos vítimas, mas coadjuvantes desse mundo que criamos e cultivamos. Vale a reflexão nos dois pontos expostos nessa matéria.

O que fazer para mudar o mundo? O que fazer para que eduquemos nossas crianças e formemos cidadãos com uma consciência moral e social suficientemente desenvolvida e lúcida? Eu criei um curso que utiliza a meditação como ferramenta para o desenvolvimento do QI e do QE do indivíduo.

A ideia é implantar no conteúdo programático das escolas de Porto Seguro. Mas aparentemente as prioridades são outras pois só tenho dois professores e uma coordenadora no curso. Enquanto nossas prioridades forem sustentadas por valores caóticos, o egoísmo será o produto de nosso cultivo. Enquanto os dados da equação forem os mesmos, o resultado será um só!

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