Um mês doce

É outono, mas em maio sempre vejo as borboletas por aí debaixo das cores do céu que se abre nos dias em que não há tempestade. É um prelúdio da primavera que acontece na outra parte do mundo, apesar de que aqui tudo que nos espera é o inverno. Dedicado a coisas doces, como as mães e os casais que festejam sua união, maio é um mês delicado. Ao mesmo tempo em que celebra a maternidade e o casamento, ele parece uma estaca de passagem entre os próximos meses, que irão aos poucos transformar toda nossa vida numa correria, até que chegue dezembro.


Maio nos lembra afeto, rendas, bombons, um clima mais ameno, um momento para respirar. Mês das noivas? Porque sempre nos remetem a elas quando se fala em casório? E os noivos? Parece que fica sempre evidente que o casamento é um desejo exclusivo da mulher. A noiva é o centro das atenções do casamento, porque realiza seu sonho, enquanto o noivo está ali para cumprir mais um papel social que alguém lhe disse estar certo, porque é assim que as coisas são.

Claro que há exceções. Mas acreditar nesse sonho perfeito e romântico onde tudo será lindo após o casamento pra mim é coisa dos séculos passados. Se é pra comemorar a união, que seja um compromisso dos dois lados do casal, homem e mulher (se estamos falando de um casamento tradicional e heterossexual). Baseada apenas em observação do mundo e das pessoas, vejo mais sinceridade e vontade verdadeira pela celebração do casamento entre casais igualitários (homem e homem, mulher e mulher), quando partem para dar esse passo.

Parece algo que sai das duas pessoas, e não de uma só. Motivos para isso não vou saber dizer, mas acho que deve ter a ver com o fato de que não há uma pressão social para isso. Como não há exigência da sociedade (pelo contrário, o que há ainda hoje é gente se opondo a esse tipo de expressão da própria liberdade), o casal fica a cargo de seu próprio objetivo, sua própria vontade de seguir caminhando juntos.

Que os casais sejam cada vez mais independentes entre si. Que a mulher, assim como o homem, possa ser livre para realizar seus verdadeiros sonhos como ser humano, não apenas como algo que lhe foi ensinado desde pequena a ser. Se você quer ser mãe, ótimo, se você não quer, ninguém pode te obrigar a querer. Que o casamento não seja uma desculpa para as pessoas se acomodarem e não fazerem mais nada por conta própria. Uma viagem sozinha ou sozinho, um plano novo de trabalho, que nada disso seja impedido pelo fato de que você tem um companheiro de vida do seu lado. Companheirismo é apoio e não prisão.

Por meses de maio onde se celebrem vidas felizes e com escolhas próprias. Por mães satisfeitas com o amor e dedicação que dão aos filhos. Por casais que sejam felizes consigo mesmos e que apesar de todas as voltas que a vida dá, consigam ainda ver motivos para seguirem caminhando juntos. Que a doçura de maio se prolongue num gosto bom em nossas bocas ao longo do ano que irá se desdobrar até um novo fim e um novo recomeço.

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