Sustentabilidade na arquitetura

A palavra da moda é sustentabilidade. O que é afinal arquitetura sustentável?


As preocupações com os riscos da degradação ambiental e os impactos das atividades humanas, se iniciam na década 1960, quando ocorreram muitas mortes de pessoas e animais por catástrofes ambientais, como enchentes, inundações, desabamentos, vazamentos de petróleo, gases tóxicos e radioatividade.

A industrialização acelerada, o rápido crescimento demográfico, a escassez de alimentos, o esgotamento de recursos e o aquecimento global se somam às discussões na comunidade internacional. Assim, surge a palavra Sustentabilidade, que em meados de 1980, ganha a definição geral: “suprir as necessidades da geração presente sem afetar a habilidade das gerações futuras de suprir as suas”.

Neste período se relaciona desenvolvimento sustentável à construção civil, responsável pelo consumo de 50% dos recursos naturais, 66% de toda a madeira extraída, 40% da energia consumida e 16% da água potável.

Atualmente o Brasil ocupa o quarto lugar no ranking mundial de construções sustentáveis. Porém o custo ainda é de 2% a 15% mais caro que uma construção convencional. Ainda que o retorno econômico aconteça em curto prazo, há enormes desafios para viabilizarmos a realização de arquiteturas / edificações mais sustentáveis em todo o país.

As correntes da arquitetura contemporânea se caracterizam por apresentar diferentes classificações e estilos. Muitas delas se aproximam do paradigma da sustentabilidade. Surgem novas formas e materiais de acabamentos, vigora o ecletismo e a liberdade compositiva. Porém, obrigatório a todas é a maior atenção ao aproveitamento da luz natural, ventilação e as condições do local (definidoras da utilização de materiais e técnicas de construção), e a inclusão de equipamentos para geração de energia, captação de águas da chuva, tratamento de água para reuso, entre muitos outros.

Por que afirmar que a Arquitetura sustentável é tendência na construção civil?

Por orientar a investigação por soluções para graves problemas construtivos, gerados principalmente pela instabilidade climática, econômica e a enorme desigualdade social. Ela será duradoura porque não se trata de um estilo como o Colonial ou Moderno. A Arquitetura sustentável busca a autossuficiência das edificações. Ela será permanente, como um guia a se seguir, na busca da harmonia entre o meio ambiente e o processo construtivo. E planeja o custo de manutenção em toda a vida útil da edificação. Eficiência energética, utilização mais racional da água e menor geração de resíduos são suas premissas.

A sustentabilidade deve ser partícipe, protagonista de toda a arquitetura contemporânea, como o maestro que rege uma grande sinfonia, e atribui maior valor e importância a cada nota. A sustentabilidade também resgata a Arquitetura Regionalista, onde podemos “respirar” a identidade ou “espírito do lugar”, encontrando no tradicional, referências culturais, cores e técnicas construtivas, muitas vezes esquecidas. Ela também incentiva o desenvolvimento social e econômico regional, priorizando o uso dos materiais e mão de obra local.

Os mutirões para construção de casas populares, por exemplo, são atitudes sustentáveis porque viabilizam economicamente a habitação, valorizando a cultura local e o social. Temos grande patrimônio histórico e cultural na Costa do Descobrimento, mas vale destacar os distritos de Arraial d’Ajuda e Trancoso por suas construções mais harmoniosas com a cultura e o ambiente natural. Ali observamos e sentimos as relações e a importante busca de um estilo de vida mais integrado com o entorno.

Talvez, até pela importância histórica e o turismo, em nossa região, deveríamos dar prioridade ao resgate e preservação de nossas riquezas, sem por isso deixarmos de usufruir do conforto e benefícios que a modernidade nos oferece.

Não basta ter uma casa confortável ou nos refugiarmos em condomínios separados, precisamos ter calçadas e ruas qualificadas e bairros arborizados. Toda cidade deve ser agradável ao ser percorrida. Porto Seguro necessita reencontrar suas belezas perdidas, qualificar as suas calçadas para a escala humana, precisa revitalizar as fachadas de suas construções. Precisa reabrir a todos as suas praias e solucionar seu trânsito. Isto também será uma medida sustentável.

O bacana da arquitetura sustentável é que ela oferece benefícios tanto ao indivíduo como à comunidade. Reeduca o homem para obter maior harmonia com seu próximo e a magnífica natureza que nos foi oferecida para habitar, certamente, com muito respeito.
A arquitetura sustentável possui extremo caráter de permanência e de vida.

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